O Arena Sportv desta Terça Feira comandado por Cleber Machado foi um dos melhores programas esportivos dos últimos tempos. Não só pelas presenças de Dunga e Jorginho, mas também pela entrevista com Celso Roth, das mais interessantes.
É claro que o prato principal foi Dunga, um tanto quanto mal humorado e arredio, mas de peito aberto para responder as perguntas pertinentes da equipe. E tudo foi perguntado, sem alisar o “professor” da Seleção, como, aliás, manda o bom Jornalismo e sempre com muita educação, o que não justifica de sobremaneira algumas respostas atravessadas de Dunga.
O mais importante foi a disposição da comissão técnica do Brasil em conversar, debater e discutir assuntos dos mais importantes relacionados ao interesse do torcedor brasileiro. Só dessa maneira é que a Seleção ficará novamente mais próxima de seu torcedor, se estiver aberta ao diálogo.
Dunga reconheceu, finalmente, que o Brasil apresentou um péssimo futebol contra o Equador e além dos efeitos da altitude não quis externar outros pontos preponderantes para o mau desempenho embora reconheça a existência deles.
Sobre o jeito da Seleção jogar futebol, Dunga não falou abertamente sobre o esquema preferido, mas deu a entender que não há sistema inflexível, sempre partindo do suposto que a definição do futebol moderno é a marcação de todos os jogadores sem a posse de bola e a movimentação de todos com a posse dela. Também salientou a importância dos avanços dos laterais. Ou seja, Dunga não descobriu a pólvora. Em tese sabe como fazer, não sei se na prática conseguirá.
Sobre jogadores, faz questão de dizer que não há um elenco fechado e que novidades podem pintar até a Copa do Mundo. Disse que tem um time dos sonhos na cabeça,mas que nem sempre é possível escalá-lo, embora, segundo ele já o tenha feito com sucesso.
Ficou claro pelas palavras do treinador que Gilberto Silva faz parte desse time, Julio Cesar, Juan, Lucio, Maicon, Kaká e Robinho também. Essa é a base da Seleção na cabeça de Dunga.
Ronaldinho Gaúcho será convocado até o limite, segundo o próprio Dunga, pois a comissão técnica acredita que o jogador pode voltar a ser o fora de série de antes e fazer a diferença na Copa do Mundo, a não ser que prove o contrário.
Sobre Hernanes e Ramires, jogadores da preferência nacional, parece mesmo que ambos são carta fora do baralho, pois Dunga não fala empolgadamente sobre os dois, embora reconheça que são bons jogadores.
Pra mim, Dunga ainda é um mistério. É certo que tenha convicções, mas não sei até que ponto ele sabe o que está fazendo. Tomara esteja no caminho certo. Pois ninguém é dono da verdade e não há verdades absolutas.